- 29 de abr
A Hipótese mais Otimista do futuro da IA com Renda Básica Universal
- Fernando Amaral
A referência mais importante nessa discussão é o artigo "Machines of Loving Grace"(Máquinas da Graça Amorosa), escrito por Dario Amodei, CEO da Anthropic (empresa criadora do Claude), em outubro de 2024. Amodei argumentava que a maioria das pessoas está subestimando o quão radical pode ser o lado positivo da IA e que os riscos só existem porque estamos diante de um futuro fundamentalmente positivo.
O artigo apresenta previsões concretas, baseadas em ciência, cobrindo cinco grandes categorias. Uma delas é a ideia do "século 21 comprimido": a IA permitiria condensar, em 5 a 10 anos, todo o progresso que a humanidade faria em biologia e medicina ao longo dos próximos 50 a 100 anos. Isso incluiria a eliminação de grande parte dos cânceres, a prevenção de doenças infecciosas e avanços radicais na saúde mental.
O trabalho vai desaparecer?
A visão predominante entre os grandes líderes de IA não é o fim abrupto do emprego, mas uma transformação profunda:
O futuro do trabalho será caracterizado por um aumento da produtividade global, pois a automação vai liberar os trabalhadores de tarefas de baixo valor agregado, permitindo que se concentrem em atividades de maior impacto estratégico, criativo e relacional.
Segundo o relatório "O futuro do trabalho em 2030" do Fórum Econômico Mundial, para cada 92 milhões de empregos deslocados pela IA, outros 170 milhões serão criados.
A Renda Básica Universal entra em cena
Um dos pontos mais ousados da hipótese otimista é que, se a IA gerar tanta riqueza e produtividade, os governos precisarão redistribuir isso, e aí entra a Renda Básica Universal:
Líderes do setor de IA, incluindo Sam Altman (OpenAI), Dario Amodei (Anthropic), Demis Hassabis (Google DeepMind) e Geoffrey Hinton, apoiam crescentemente a ideia de uma renda básica universal, diante das preocupações com o deslocamento de empregos causado pela automação.
O investidor Vinod Khosla prevê que a IA vai automatizar a maior parte do trabalho humano, tornando a RBU essencial para a estabilidade econômica. Amodei, em outubro de 2024, afirma que uma renda básica universal ampla pode ser parte da resposta, mas provavelmente apenas um elemento de uma resposta mais abrangente às mudanças econômicas e sociais criadas pela IA.
Em resumo
A hipótese mais otimista não é um mundo onde humanos simplesmente "param de trabalhar", mas um onde o trabalho se torna mais humano: menos repetitivo, mais criativo, mais significativo e onde a produtividade gerada pela IA, se bem distribuída (via RBU ou políticas similares), pode proporcionar uma vida com mais tempo livre, saúde e autonomia para todos.