- 05 de jun
A IA Não Roubou o Emprego do Engenheiro de Dados
- Fernando Amaral
Existe uma narrativa popular de que a IA vai eliminar funções técnicas. Na engenharia de dados, aconteceu o oposto. Cada empresa que decide implementar um modelo de linguagem, um sistema de recomendação ou qualquer aplicação de IA descobre rapidamente que precisa resolver um problema mais básico antes: seus dados são uma bagunça.
É aí que entra o engenheiro de dados. Modelos de IA precisam de dados limpos, organizados, atualizados e bem estruturados para funcionar. Quem constrói essa infraestrutura, os pipelines, os data lakes, as integrações entre sistemas é o engenheiro de dados. Sem ele, o projeto de IA não sai do papel. É por isso que a corrida pela IA nas empresas virou, na prática, uma corrida por engenheiros de dados.
A Brasscom calcula que entre 2019 e 2024 o mercado pediu 665 mil profissionais de tecnologia, mas a formação ficou 30% abaixo da demanda. Com a aceleração da IA, esse déficit não diminuiu, aprofundou. Segundo dados da Gupy, a busca por profissionais com conhecimento em IA cresceu 306% em apenas um ano no Brasil.
Tem também a questão da escala. Ferramentas de IA generativa já ajudam engenheiros a escrever código e montar pipelines mais rápido, o Copilot do Microsoft Fabric, por exemplo, gera scripts de ingestão de dados com alguns comandos. Mas isso não reduziu as vagas. Reduziu o tempo por tarefa e aumentou a quantidade de projetos que cada empresa consegue tocar ao mesmo tempo. O resultado é mais demanda, não menos.
O LinkedIn apontou "engenheiro de IA" como a profissão número 1 em crescimento no Brasil em 2026. Não é surpresa: operacionalizar um modelo de IA em produção, garantir que ele funcione de forma estável, que os dados que chegam sejam confiáveis, que os resultados possam ser monitorados é um trabalho de engenharia pesado, que não se resolve com um prompt.
A área de dados nunca esteve tão promissora. E a ironia é que a própria tecnologia que parecia ameaçá-la é o que está sustentando o crescimento.
Fontes: Bain & Company / Data Hackers (State of Data 2025-26), Brasscom, Gupy, Alura, LinkedIn Jobs Report 2026, DataEX, Monitor do Mercado
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