- 27 de abr
Como evitar o comportamento de IA bajuladora?
- Fernando Amaral
Você entrega um texto pra uma IA e ela fala que está "bem estruturado, com argumentos claros". Você manda uma ideia com furos óbvios e ela responde com entusiasmo. Isso não é bug, é como o negócio foi feito. Modelos de linguagem aprendem a gerar respostas que as pessoas aprovam, e a maioria das pessoas aprova quando alguém concorda com elas. O problema é que isso é inútil quando você quer feedback de verdade.
Pedir "avalie meu trabalho" é como perguntar a um vendedor se o produto é bom.
A solução é simples: em vez de pedir avaliação em branco, você descreve quem está avaliando. "Avalie como um professor rigoroso." "Leia como um editor que corta tudo que é redundante." Quando você define um papel assim, a IA tem critérios concretos pra seguir e esses critérios conflitam com o instinto de agradar. Essa estratégia é simples comparada a outras, como o Claude Council Skill, que convoca 7 personas com visões opostas pra debater qualquer decisão mas já resolve 80% dos casos do dia a dia.
Funciona porque você tira a IA do modo padrão. Sem instrução, ela ocupa o papel de assistente gentil. Com instrução, ela simula outra persona e personas têm compromissos diferentes dos seus.
No fundo, a IA não sabe o que você realmente precisa, ela só sabe o que você pediu. Se você pediu validação, vai receber validação. Se você pediu um crítico, vai receber crítica. A diferença entre os dois não está na ferramenta, está em como você abre a conversa.